Fonte: http://g1.globo.com/parana/noticia/2012/05/benzedeiras-sao-consideradas-profissionais-da-saude-no-parana.html
11/05/2012 09h15 - Atualizado em 11/05/2012 09h44
11/05/2012 09h15 - Atualizado em 11/05/2012 09h44
Benzedeiras são consideradas profissionais da saúde no Paraná
Em Rebouças, no interior do estado, lei regulamenta a tradicional prática.
Prefeito diz que curandeiros podem auxiliar a saúde pública.
Um mapeamento feito em 2009 pelo Movimento Aprendizes da Sabedoria
(Masa) identificou em Rebouças, no centro-sul do Paraná, 133
benzedeiras. Segundo o Censo de 2010, 14.176 pessoas vivem na cidade. O
levantamento foi encaminhado para a Câmara Municipal de Vereadores e deu
origem a um projeto de lei para regulamentar a prática. O texto foi
aprovado pelos parlamentares e sancionado pelo prefeito em Luiz Everaldo
Zak (PT). Rebouças é o primeiro município do país a oficializar a
prática de benzedeiros, curadores, “costureiro de rendiduras” ou
“machucaduras”.
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Agda Cavalheiro, de 67 anos, explicou que o trabalho de benzedeira é orar (Foto: Taísa Lewitzki) |
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Na realidade é uma coisa que acontece, não tem como ignorar isso"
Luiz Everaldo Zak, prefeito de Rebouças (PR)
A proposta, que é de 2010, também permite que estas pessoas colham
plantas medicinais nativas no município livremente para o exercício do
ofício. A lei concretizou uma parceria entre a tradição e as políticas
públicas voltadas para a sáude. “O município de Rebouças reconhece os
saberes e os conhecimentos localizados realizados por detentores de
‘ofícios tradicionais’ , como instrumento importante para a saúde
pública do município”, diz o Artigo 3º da lei.
Para Ana Maria dos Santos, de 46 anos, que aprendeu o ofício com o pai,
a regulamentação trouxe segurança. "Agora temos mais segurança,
trabalhamos mais tranquilo. Podemos benzer dentro do posto, dos
hospitais, sem medo", conta. A benzedeira explicou que antes da medida
ela e as colegas tinham medo de serem denunciadas.
Solteira e sem filhos, Ana Maria se mantém com uma ajuda do governo
federal e com algumas doações que as pessoas fazem em troca do serviço.
"Deus não cobra nada de ninguém. E é Deus, Nossa Senhora que curam. Quem
doa, doa de coração", comenta. Ela diz que se sente privilegiada por
ser benzedeira. "Quando chegar no céu vamos receber um prêmio por tudo
que fizemos de bom. Isso é muito gratificante".
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Na família de Ana Maria dos Santos benzer é um ofício passado de geração para geração (Foto: Taísa Lewitzki) |
Agda Andrade Cavalheiro, de 67 anos, contou que é benzedeira para ajudar e comemora a lei que regulariza o oficio. "Foi uma alegria muito grande [ser reconhecida pela lei], porque a gente ajuda muita gente na doença, na pobreza. Porque quem tem recurso vai direto ao especialista", explica a benzedeira. "Às vezes o que falta é oração. O trabalho da benzedeira é a oração e os chás medicinais. E isso também pode ajudar no tratamento médico", explica.
Para poder exercer o oficio livremente, a benzedeira deve ir à Secretaria Municipal de Saúde e solicitar a Carta de Auto-Definição, na qual deve descrever de que forma trabalha. Depois, o órgão emite o Certificado de Detentor de Oficio Tradicional de Saúde Popular e uma carteirinha.
Na avaliação do prefeito de Rebouças, Luiz Everaldo Zak (PT) a lei veio apenas para regulamentar algo que já ocorria e que fazia parte da tradição da cidade. “Na realidade é uma coisa que acontece, não tem como ignorar isso”, afirmou o prefeito. Segundo ele, a diferença é que agora as benzedeiras e curandeiros são cadastrados e recebem uma carteirinha emitida pela Secretaria Municipal de Saúde para exercer o ofício. “Agora nós sabemos o que eles fazem”, acrescentou o prefeito. Zak destacou que essas pessoas podem auxiliar a saúde pública ao passarem orientações adequadas.
Ao G1 o prefeito explicou que já houve algumas reuniões entre os profissionais da secretaria e as benzedeiras e que a equipe da Saúde da Família tem contato direto com mulheres. “Algumas pessoas procuram direto e a gente pede para que eles procurem as situações graves que encaminhem, para a saúde pública, para a medicina convencional”, disse Zak.
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